As 10 atrizes do momento no cinema brasileiro

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10 atrizes do cinema brasileiro atual: Rosanne Mulholland

Rosanne Mulholland teve um grande desempenho em Falsa Loura l Foto: Arquivo

De Dira Paes a Hermila Guedes, de Leandra Leal a Simone Spoladore: uma lista com 10 talentosas atrizes brasileiras, que representam muito bem o que está rolando no cinema nacional feito no período da pós-Retomada.

Depois do artigo sobre os 10 atores que são a cara do cinema brasileiro atual, vamos à lista das 10 atrizes do período da pós-Retomada nas telas. Não é uma lista das melhores, nem das que fizeram mais filmes, e sim de 10 atrizes-símbolo do cinema feito no Brasil nos últimos anos. Você concorda com a lista? Faltou alguém nela?

Dira Paes

Dira Paes (Abaetetuba-PA, 30/06/1969). Nascida no interior do Pará, mas criada em Belém, Dira sonhava ser atriz desde a infância. Sua chance apareceu aos 15 anos, quando o cineasta británico John Boorman procurava jovens brasileiras para atuar no filme The Emerald Forest. Foi selecionada entre 500 candidatas e daí para frente não parou mais. Morando no Rio de Janeiro desde os 18 anos, se tornou conhecida por seus papéis na série “A Diarista” e na novela “Caminho das Índias”. No cinema, colecionou inúmeros prêmios, por filmes como Amarelo Manga e Baixio das Bestas, dois dos seus trabalhos mais marcantes, sob direção de Cláudio Assis; outro longa de destaque foi Incuráveis, de Gustavo Acioli.

Hermila Guedes

Hermila Guedes (Cabrobó-PE, 01/01/1980). Hermila trabalhava numa agência de viagens quando resolveu fazer um teste para o curta-metragem O Pedido, de Adelina Pontual. Aprovada e posteriormente premiada em diferentes festivais, prosseguiu com vários trabalhos no teatro, antes de ser escalada por Marcelo Gomes para atuar no eloagiado Cinema, Aspirina e Urubus. Mas foi com Céu de Suely, de Karim Aïnouz, que a atriz irrompeu na cena cinematográfica brasileira com uma atuação natural e arrebatadora. Sua participação em filmes como Deserto Feliz e Assalto ao Banco Central nos mostrou uma atriz já veterena, com um lugar garantido entre as melhores do cinema brasileiro atual.

Leandra Leal

Leandra Leal (Rio de Janeiro-RJ, 08/09/1982). Filha da atriz Ângela Leal, atua no teatro desde os sete anos e na TV desde os oito. Teve seu primeiro papel de destaque com apenas 13 anos, no filme A Ostra e o Vento, no qual contracenou com Lima Duarte. Premiada dentro e fora do país, iniciou uma bem-sucedida carreira no cinema, que inclui títulos como a comédia O Homem Que Copiava, de Jorge Furtado; o drama Nome Próprio, de Murilo Salles —que significou uma espécie de ruptura com seus trabalhos anteriores, num papel que desafiou a atriz com inúmeras cenas de nudez e um mergulho emocional no seu personagem— e O Lobo Atrás da Porta, de Fernando Coimbra, que lhe rendeu prêmios e ótimas críticas.

Maeve Jinkings

Maeve Jinkings (Brasília-DF, 04/08/1976). Ela nasceu em Brasília, morou em Belém do Pará, estudou em São Paulo —na USP e no Centro de Pesquisa Teatral, de Antunes Filho— e atuou na maior parte dos seus filmes em Pernambuco. Versátil, Maeve ficou muito tempo ‘escondida’ no teatro antes de se transformar num rosto frequente em premiadas produções brasileiras. Nos últimos anos, a atriz protagonizou os ótimos O Som ao Redor e Aquarius, ambos de Kleber Mendonça Filho, além dos elogiadíssimos Boi Neon, de Gabriel Mascaro, e Amor, Plástico e Barulho, pelo qual recebeu vários prêmios. Na TV, tornou-se conhecida do grande público graças ao seu único trabalho até agora, na novela “A Regra do Jogo”.

Maria Flor

Maria Flor (Rio de Janeiro-RJ, 31/08/1983). Começou na TV em 2003, mas já em 2004 pulou para as telas de cinema, protagonizando no mesmo ano O Diabo a Quatro e Quase Dois Irmãos, além de um papel menor em Cazuza – O Tempo Não Para. Maria parece ter nascido para o cinema, e antes de chegar aos 30 já tinha atuado em quase 15 filmes, deixando seu trabalho na TV quase restrito a séries e participações especiais; além disso, já começou a dar seus primeiros passos na produção e direção. No cinema, outros filmes importantes na sua carreira foram Proibido Proibir, de Jorge Duran, e Pequeno Segredo, de David Schürmann, indicado pelo Brasil para o Oscar de melhor filme estrangeiro.

Mariana Ximenes

Mariana Ximenes (São Paulo-SP, 26/04/1981). Estreou na TV ainda na adolescência e logo se firmou como um nome de destaque na Rede Globo; seus papéis nas novelas “Chocolate com Pimenta” e “América” são lembrados até hoje. No cinema, teve um papel marcante em O Invasor, de Beto Brant, com pouco mais de 20 anos. Mas passou a se destacar na virada da década atual, quando começou a acumular muitos trabalhos, tornando-se um dos rostos mais habituais nas telas brasileiras. Uma característica interessante na sua carreira fílmica é a grande diversidade de gêneros e papéis que interpreta, atuando em longas tão diferentes como Hotel Atlântico, de Suzana Amaral, O Uivo da Gaita, de Bruno Safadi, e Zoom, de Pedro Morelli.

Roberta Rodrigues

Roberta Rodrigues (Rio de Janeiro-RJ, 20/10/1982). Criada no Morro do Vidigal, entrou aos 16 anos no grupo teatral Nós do Morro e foi através dele que teve a chance de atuar em Cidade de Deus, de Fernando Meirelles. Sua ótima interpretação rendeu um convite para participar da série “Cidade dos Homens” e do filme Garrincha – Estrela Solitária, de Milton Alencar, no qual teve uma breve porém marcante cena com o ator André Gonçalves. Filmes como Noel – Poeta da Vila, de Ricardo van Steen, Mulheres do Brasil, de Malu de Martino, e 5x Favela – Agora Por Nós Mesmos, produzido por Cacá Diegues, serviram para consolidar sua trajetória no cinema, que caminha junto com uma bem-sucedida carreira na TV.

Rosanne Mulholland

Rosanne Mulholland (Brasília-DF, 31.12.1980). Embora já tivesse feito alguns curtas e inclusive um longa, o filme que a projetou no meio artístico foi A Concepção, de José Eduardo Belmonte. Um filme vigoroso, cheio de cenas de sexo e drogas, em que Rosanne contracenou com Milhem Cortaz, Juliano Cazarré e Gabrielle Lopez. A atriz passou a ser considerada a nova musa do cinema nacional, estreando nada menos do que cinco longas em 2007. O mais famoso deles foi Falsa Loura, de Carlos Reichenbach, um dos seus melhores e mais elogiados trabalhos. Outros filmes interessantes na carreira da atriz são Meu Mundo em Perigo, também de Belmonte, e Menos Que Nada, de Carlos Gerbase.

Sílvia Lourenço

Sílvia Lourenço (São Paulo-SP, 05/02/1976). Ex-integrante do grupo Macunaíma, no qual foi dirigida por Antunes Filho, Sílvia atua no teatro desde os 19 anos e somente aos 27 teve sua primeira oportunidade no cinema. Conseguiu ficar com o papel principal de Contra Todos, de Roberto Moreira, na pele de uma moça de apenas 17 anos, o que não a impediu de ter um ótimo desempenho, que a levou a ganhar vários prêmios e iniciar uma bem-sucedida carreira nas telas. Esta inclui longas como O Cheiro do Ralo, excelente filme de Heitor Dhalia e no qual interpreta uma viciada em drogas, e Quanto Dura o Amor?, em que voltou a ser dirigida por Moreira. Sílvia também teve um importante papel na série “Alice”, da HBO.

Simone Spoladore

Simone Spoladore (Curitiba-PR, 29/10/1979). Embora também tenha feito várias peças de teatro (ainda na capital paranaense, foi dirigida por Felipe Hirsch), novelas e séries —atualmente grava a segunda temporada de “Magnífica 70”, da HBO—, Simone é na verdade uma das atrizes-símbolo do cinema brasileiro atual. Estreou em Lavoura Arcaica, de Luiz Fernando Carvalho, e em seguida atuou em Desmundo. Curiosamente dois papéis em que não tinha muitos diálogos (no primeiro, de fato, nenhum), o que só realçou a enorme expressividade do seu rosto. Qualidade aproveitada por diretores como Paulo Machline, Karim Aïnouz e Helena Ignez, em filmes como Natimorto, Insolação e Canção de Baal.

Sergio Marcio (18 Posts)

Jornalista, roteirista e produtor cultural, completamente apaixonado por cinema e teatro, especialmente do Brasil, América Latina e Europa.


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