As 20 maiores musas da Boca do Lixo (Parte I)

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As maiores musas da Boca

Nicole Puzzi foi uma das maiores atrizes da Boca paulistana l Foto (Fonte): Os Curtos Filmes

Aldine Müller, Helena Ramos, Matilde Mastrangi, Zilda Mayo… Muitas foram as atrizes que brilharam nos filmes feitos no maior polo cinematográfico do país. Aqui vai então uma resenha sobre algumas das maiores musas da história da Boca.

Nos anos 70 e 80, em nenhum lugar do país se produziram tantos filmes como na Boca do Lixo, uma região da capital paulista que ficou célebre sobretudo pelas comédias eróticas (as famosas pornochanchadas), mas também por policiais, dramas, faroestes e outros gêneros. Nesse que foi o maior polo cinematográfico do Brasil, as estrelas eram as atrizes. E entre elas, claro que algumas se destacaram especialmente, embora esta lista tenha algumas ausências importantes, como qualquer outra.

É interessante notar que as quatro atrizes consideradas como as rainhas da pornochanchada — Aldine Müller, Helena Ramos, Matilde Mastrangi e Zilda Mayo — nasceram em 1953, três delas em março daquele ano. Destas, apenas Aldine não começou a carreira como telemoça do Sílvio Santos. Por outro lado, Rossana Ghessa e Selma Egrei construíram uma carreira sólida fora da Boca, mas com contribuições importantes no cinema feito nessa região do centro paulistano.

Quando o boom da Boca acabou, em meados dos anos 80, várias destas atrizes rumaram para o teatro, no qual algumas já atuavam. Esse foi o caso de Nicole Puzzi, Zilda e Aldine, que também engatou trabalhos na TV. Rossana se dedicou a produzir, enquanto Patrícia Scalvi e Vanessa Alves rumaram para a dublagem. Selma viveu vários anos no exterior, afastada da atuação, antes de voltar e mais recentemente brilhar em papéis na Globo, enquanto Matilde, Helena e Sandra Gräffi abandonaram a carreira. Confira mais sobre cada uma delas, nesta primeira parte sobre as musas da Boca.

20 musas da Boca (Parte I)

Aldine Müller

Aldine Müller

Nascida em 8 de outubro de 1953 em São José dos Ausentes (RS), Aldine Rodrigues Raspini foi uma das maiores musas da história da pornochanchada. Com uma carreira composta por mais de 40 filmes, Aldine começou como modelo em Caxias do Sul (RS) e se mudou para São Paulo com o sonho de ser atriz. Foi na TV Tupi que recebeu o convite para fazer cinema, estreando em 1975. Cinco anos depois, já tinha mais de 30 longas no currículo, pois tornou-se em pouquíssimo tempo uma das mais requeridas atrizes da Boca, emendando um trabalho atrás do outro. Alguns dos mais célebres foram Dezenove Mulheres e Um Homem (1977), de David Cardoso, Ninfas Diabólicas (1978), de John Doo, e O Bem Dotado, O Homem de Itu (1978), de José Miziara. Aldine foi um caso raro de musa da Boca que conseguiu manter uma carreira de sucesso na TV, passando por várias emissoras, inclusive a Rede Globo, além de ser atriz e produtora de teatro. Já em 2012, teve uma participação muito interessante em Dois Coelhos, elogiado filme de Afonso Poyart.

Helena Ramos

Helena Ramos

Considerada por muitos como a rainha da pornochanchada, Helena da Silva Ramos nasceu em Cerqueira César (SP), em 10 de março de 1953. Começou a trabalhar desde muito cedo, passando por empregos como balconista de farmácia e bilheteira de cinema. Até que recebeu o convite de Sílvio Santos para ser telemoça. Recusou o primeiro convite para o cinema, feito por Roberto Mauro, ao saber que teria que fazer cenas de nudez, mas acabou sendo convencida para protagonizar As Cangaceiras Eróticas. Helena logo se tornaria uma campeã de bilheteria da Boca e seu nome esteve presente em inúmeras produções. Foram mais de 40, de 1974 a 1984 — só em 1976 foram oito filmes. Nenhum deles fez tanto sucesso como Mulher Objeto (1981), de Sílvio de Abreu, em que a atriz teve ótima interpretação, no papel da mulher frígida que mantinha um casamento infeliz com Nuno Leal Maia. Aliás, a mulher frígida, fria ou certinha foi um personagem que a acompanhou em vários filmes. Alguns dos seus trabalhos mais marcantes foram A Mulher Sensual (1980), Convite ao Prazer (1980) e Violência Na Carne (1981).

Matilde Mastrangi

Matilde Mastrangi

Paulistana, nascida em 18 de março de 1953, Matilde foi mais uma atriz que iniciou a carreira como telemoça no programa Sílvio Santos. Seu primeiro filme foi As Cangaceiras Eróticas (1974), de Roberto Mauro, mas ao contrário de outras grandes musas do período, sua carreira demorou a decolar. Tanto é assim que até 1979 a atriz tinha uma modesta média de um filme por ano, somando apenas seis dos quase 30 longas que rodou na Boca. Isso mudou nos anos 80, quando estrelou 20 pornochanchadas, muitas delas dirigidas ou protagonizadas por David Cardoso, um dos seus principais parceiros em cena. A Noite das Taras (1980), Palácio de Vênus (1980) — que incluía uma cena de sexo que causou polêmica por ser muito realista — e Pornô! (1981) são alguns dos seus trabalhos mais marcantes. No set, Matilde costumava dispensar o roupão para se vestir entre uma cena e outra, mas hoje leva uma vida pacata e totalmente afastada dos holofotes. Formada em Letras, é pós-graduada em Teologia e se converteu à religião evangélica há mais de 15 anos.

Nicole Puzzi

Nicole Puzzi

Filha de fazendeiros, Teresa Nicole Puzzi Ferreira nasceu em Floraí (PR), em 17 de maio de 1958, e passou a morar na capital paulista em 1970. Para participar do seu primeiro filme, Possuídas Pelo Pecado (1976), de Jean Garrett, Nicole falsificou sua identidade, já que ainda era menor, embora não fizesse nenhuma cena ousada no longa. Escola Penal de Meninas Violentadas (1977) e Ariella (1980) foram alguns dos seus trabalhos mais conhecidos, mas Nicole também se destacou em filmes que nada tinham a ver com as pornochanchadas da Boca. Assim, esteve no elenco principal de filmes como Filhos e Amantes (1981), Eros, O Deus do Amor (1981), As Sete Vampiras (1986) e Anjos do Arrabalde (1987), entre outros. Embora sua filmografia não seja tão extensa como a de outras atrizes que compõem esta lista, Nicole coleciona trabalhos com diretores aclamados como Carlos Reichenbanch, Ivan Cardoso e Walter Hugo Khouri. Escritora, é autora do livro “A Boca de São Paulo” e também apresenta o programa “Pornolândia” no Canal Brasil.

Patrícia Scalvi

Patrícia Scalvi

Vera Lúcia de Sousa nasceu em São Paulo em 11 de novembro de 1954, filha de amparenses, numa família de origem italiana. Teve sua primeira aproximação ao teatro na época do colegial, e começou desde então a fazer algumas peças, mas foi só no final dos anos 70 que passou para as telas de cinema. Casada durante oito anos com o cineasta Luiz Castellini, atuou em quase todos os filmes do diretor. Foram oito longas em que foi dirigida pelo companheiro, com destaques para os filmes de episódios Pornô! (1981) e Ousadia (1982). A Noite das Taras (1980) — mais um filme de episódios — e O Fotógrafo (1980), de Jean Garrett, foram outros pontos altos de uma carreira que inclui trabalhos sob direção de Walter Hugo Khouri (Convite ao Prazer, Eros, O Deus do Amor) e Carlos Reichenbach (Amor, Palavra Prostituta). Inteligente e muita atenta a tudo o que se fazia detrás das câmeras, Patrícia chegou a dirigir alguns curtas e há anos é dubladora e diretora de dublagem, sendo uma das profissionais mais destacadas do país nessa área.

Rossana Ghessa

Rossana Ghessa

Italiana mas naturalizada brasileira, Rossana Ghessa chegou ainda menina ao país, onde construiu toda a carreira. Nascida em 24 de janeiro de 1943, Rossana começou como modelo e garota-propaganda, antes de fazer seu primeiro filme, Paraíba, Vida e Morte de Um Bandido (1964), um excelente policial com Jece Valadão e Jardel Filho, entre outros grandes nomes. Os primeiros anos de carreira da atriz incluem clássicos como Bebel, Garota Propaganda e Ana Terra, mas não demorou para que sua sensualidade fosse levada a filmes que ganhavam cada vez mais carga erótica. Alberto Pieralisi, Alfredo Sternheim e Walter Hugo Khouri foram alguns dos principais diretores com quem a atriz trabalhou. Porém, só no final dos anos 70 Rossana passou a fazer filmes na Boca do Lixo, em papéis cada vez mais ousados, como nos filmes Me Deixa de Quatro (1981), Fantasias Sexuais (1982) e Mulheres Liberadas (1982). A atriz chegou a produzir — com competência — alguns dos seus filmes e é um caso peculiar na história do cinema da Boca. Afinal, ela construiu uma carreira de sucesso antes de fazer filmes na Rua do Triunfo. Não é uma atriz “da Boca”, mas é até hoje uma das suas maiores musas.

Sandra Gräffi

Sandra Gräffi

Uma das poucas atrizes do Rio de Janeiro que brilhou na Boca do Lixo, Sandra Gräffi nasceu em 1962 (não há fontes confiáveis que indiquem em que cidade) e começou a atuar em filmes, ainda muito nova, no início dos anos 80, convidada por David Cardoso. Embora tenha tido uma carreira curta, que se estendeu durante não mais de cinco anos, seu nome ganhou importância muito rapidamente, tanto é assim que protagonizou vários filmes daquele período, como Mulher Tentação (1982), de Ody Fraga, e Brisas do Amor (1982) e Tensão e Desejo (1983), de Alfredo Sternheim, um dos seus melhores desempenhos. Outros diretores com que Sandra trabalhou foram Carlos Reichenbach, David Cardoso, Osvaldo de Oliveira, Walter Hugo Khouri e Antônio Meliande — com este último, fez cinco longas. Ao total, foram 17 filmes, numa trajetória que se interrompeu com o fim da pornochanchada e o início das produções com sexo explícito, que afastou tantas outras atrizes da Boca. Há alguns anos, a atriz foi definida por Sternheim como uma “estrela absoluta e natural”.

Selma Egrei

Selma Egrei

A exemplo de Rossana Ghessa, é completamente injusto rotular esta paulistana nascida em 16 de março de 1949 como “atriz de pornochanchada”. Aliás, é injusto com qualquer atriz, mas ainda mais com Selma Egrei, que nem fez tantos filmes na Boca como as matérias publicadas em jornais e revistas fazem crer. Embora seus filmes rodados nos anos 70 e 80 quase sempre envolvessem nudez — o que era frequente em produções de todos os gêneros da época — ela nunca trabalhou com a maioria dos diretores famosos pelas pornochanchadas da Boca e não encarou cenas tão ousadas como outras atrizes do período. Notável atriz, recentemente descoberta pelo grande público graças ao sucesso dos seus trabalhos na Rede Globo, Selma teve grandes desempenhos em filmes como A Noite do Desejo (1973), de Fauzi Mansur, O Anjo da Noite (1974) e O Desejo (1975), ambos de Walter Hugo Khouri, O Dia em Que o Santo Pecou (1975), de Cláudio Cunha, e Sexo, Sua Única Arma (1981), de Geraldo Vietri. Nestes dois últimos, interpretou uma muda e uma cega, respectivamente, em dois trabalhos que evidenciaram seu enorme talento.

Vanessa Alves

Vanessa Alves

Considerada musa do mestre Carlos Reichenbach, com quem fez cinco filmes, Vanessa Alves nasceu em São Paulo, em 4 de novembro de 1963. Chamada para fazer um teste com o mítico produtor Antônio Polo Galante para um papel secundário no filme A Filha de Emmanuelle (1980), de Osvaldo de Oliveira, foi aprovada e acabou sendo a protagonista. Em seguida, foi o próprio Galante que a indicou para O Paraíso Proibido (1980), filme de Reichenbach que se tornou a primeira colaboração entre o diretor e a atriz. O ponto alto dessa parceria ocorreu no ótimo Anjos do Arrabalde (1987), que rendeu à atriz um prêmio no Festival de Gramado, além do prêmio Governador do Estado. Muito depois do ciclo de filmes da Boca, a atriz faria mais um filme sob a direção do realizador gaúcho: Garotas do ABC (2004), que tem no elenco nomes como Antonio Pitanga, Fernanda Carvalho Leite e Selton Mello. Hoje uma bem-sucedida dubladora e diretora de dublagem, Vanessa é lembrada por trabalhos como A Menina e o Estuprador (1982) e Os Bons Tempos Voltaram (1985), este último feito no Rio de Janeiro.

Zilda Mayo

Zilda Mayo

Nascida em 2 de março de 1953, na cidade de Araraquara (SP), Zilda Sedenho trabalhou como babá e vendedora, antes de conseguir emprego como uma das telemoças de Sílvio Santos. Seus primeiros filmes foram lançados em 1976: Ninguém Segura Essas Mulheres, no episódio dirigido por José Miziara — com quem voltaria a trabalhar em Pecado Horizontal (1982) — e Possuídas Pelo Pecado e Excitação, ambos de Jean Garrett. Com este último diretor, um dos mais talentosos da Boca do Lixo, fez também Noite em Chamas, no ano seguinte. Mas seu trabalho mais elogiado aconteceu em O Rei da Boca (1982), de Clery Cunha, com uma ótima e divertida interpretação no papel de uma prostituta. Capa de várias revistas, Zilda também esteve presente em alguns filmes que continham cenas de sexo explícito, como Juventude em Busca do Sexo e A Quinta Dimensão do Sexo. Mas, embora protagonizasse cenas de altíssimo teor sexual, não chegou a fazer nenhuma cena explícita. Com o fim do ciclo da Boca, a atriz enveredou para o teatro, tendo também alguns trabalhos em emissoras como a Record e a extinta Manchete.

Sergio Marcio (18 Posts)

Jornalista, roteirista e produtor cultural, completamente apaixonado por cinema e teatro, especialmente do Brasil, América Latina e Europa.


One comment

  1. Velhos tempos e bons época celular ouro do cinema brasileiro Helena ramos a musa das pornos cháchadas carla camurati uma delícia entre outras grandes estrelas

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