O cinema popular e inventivo de Cláudio Cunha

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Cláudio Cunha

O realizador paulistano ficou famoso em todo o país como o Analista de Bagé l Foto: Arquivo.

De O Clube das Infiéis a Oh! Rebuceteio, vamos dar um passeio pelo cinema de Cláudio Francisco Cunha (1946-2015), diretor, produtor, ator e roteirista brasileiro, que deixou uma filmografia das mais interessantes do núcleo conhecido como Boca do Lixo.

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Da Bolívia ao Brasil: a história de dois irmãos cineastas

Monique Lafond e José Rady

José Rady dirigiu Monique Lafond na comédia Mulher de Proveta l Foto: Cinemateca Brasileira

José Rady e Hugo Cuéllar Urizar iniciaram a carreira de cineastas na Bolívia, onde nasceram. De lá, partiram para São Paulo, onde chegaram a rodar na Boca antes de se dedicarem a outras atividades. Nesta entrevista com Hugo, o realizador relembra essas experiências.

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Um olhar sobre a pornochanchada: o que foi e por que fez tanto sucesso?

Violência na Carne

Violência na Carne reuniu atrizes como Helena Ramos l Foto: Cinemateca Brasileira

Todo mundo já ouviu falar da pornochanchada, mas muitas vezes ela é confundida com qualquer filme feito na Boca ou ainda qualquer longa realizado no Brasil nos anos 70. Nada mais falso. A pornochanchada foi um gênero específico. E muito bem-sucedido.

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As 10 melhores atrizes jovens latino-americanas

Soledad Ardaya

Soledad Ardaya é a representante boliviana nesta seleção de atrizes l Foto: Arquivo

Este artigo foi publicado originalmente na primeira fase do ALDEIA CULTURAL e eu o mantive praticamente na íntegra. Como foi escrito há muito tempo, é possível que nem todas entrassem na lista hoje. Ainda assim, é uma boa seleção de atrizes do nosso continente.

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Há 7 anos, a série Alice encantou o público da HBO

Andréia Horta em Alice

A série foi uma das primeiras produzidas no Brasil pela HBO l Foto: Divulgação

No segundo semestre de 2008, a HBO exibiu a série “Alice”. Com uma trilha sonora envolvente, estética caprichada e elenco afiado, a série encantou o público e ganhou inclusive um especial em duas partes dois anos depois. Um dos grandes méritos de “Alice” foi ter projetado atrizes talentosas como Andréia Horta, Luka Omoto e Gabrielle Lopez. O ALDEIA CULTURAL, ainda na sua primeira época, conversou com as três, nas entrevistas que você pode relembrar a seguir.

Um olhar sobre Alice (HBO, Brasil, 2008)

“Alice” foi a terceira produção da HBO realizada no Brasil, após as bem sucedidas temporadas de “Mandrake” (2005 e 2007) e “Filhos do Carnaval” (2006). Em 13 capítulos, a série narrou a história de uma jovem nascida e criada na pequena Palmas, capital do Tocantins, de ruas retas e sem muito movimento. A ponto de se casar, o personagem-título leva também uma vida tão planejada como o lugar onde mora. Entretanto, o suicídio do seu pai (que ela pouco pode conhecer) em São Paulo a leva até a metrópole de quase 20 milhões de habitantes.

Em São Paulo, Alice faz o tour de force obrigado à idade adulta, de maneira dura e às vezes cruel. Ali ela encontra os mais diversos personagens, que em alguns casos a salvarão e em outros a deixarão à beira do abismo. A protagonista passa então a viver a 1.000 km por hora, disposta a se apropriar da cidade, torná-la sua e aproveitar tudo o que esta tem para lhe oferecer. Sua passagem pela vertiginosa capital termina sendo uma experiência transformadora, dessas que marcam a gente pela vida toda.

Andréia Horta em uma cena de Alice

De um virtuosismo estético singular e uma fotografia que sabe aproveitar as inúmeras possibilidades brindadas por uma cidade tão fascinante como a capital paulista, a série cativa por sua excelente trilha sonora, composta principalmente pelos músicos Tejo Damasceno e Rica Amabis, com nota alta também para as canções “Sem Mentira”, de Fábio Góes, e “Al”, de Estela Cassilatti. Todos estes elementos são combinados de maneira brilhante por Karim Aïnouz e Sérgio Machado, que compartilham a direção, conseguindo no entanto manter uma unidade dramática e visual entre os episódios.

É fácil perceber o enorme cuidado com que foi realizada a série, uma característica mais própria dos filmes que do que se faz normalmente na televisão. Este não é um detalhe menor, porque esse esmero deriva não só em um produto melhor acabado tecnicamente, mas também em interpretações muito mais sólidas, assim como ocorre no cinema.

Vinícius Zinn e Andréia Horta

Quanto ao roteiro, talvez o elemento mais criticado da série, é preciso dizer que, embora não seja excelente, está longe de decepcionar. Muito pelo contrário, já que o interesse na trama não cai em nenhum momento e isto em uma série não é nada fácil de conseguir. Mas é verdade que algumas situações se resolvem quase por inércia (ou algumas vezes de forma bastante discutível, como no caso da gravidez de Alice) e que não se aprofunda tanto no seu desenvolvimento, especialmente nas histórias paralelas.

Há algumas passagens com as quais nos identificamos imediatamente, mas outras são um pouco forçadas, como o momento em que DJ, o norte-americano que viaja no dia seguinte a Buenos Aires, seduz Alice no táxi, depois de escolher uma música no seu iPod. Esse primeiro ‘deslize’ da jovem é perfeitamente verossímil, nem tanto assim o jeito em que ela ‘cai’, que parece mais uma solução de efeito idealizada pelos roteiristas do que uma situação tirada da realidade. Mas é talvez esse uso excessivo e ao mesmo tempo acertado dos recursos que aporta fluidez a uma história que — sendo bastante rigoroso — não proporciona grandes emoções (mas sim muitas sensações), para além da empatia quase automática com os personagens.

Andréia Horta e Luka Omoto

Voltando à narrativa, esta não é vertiginosa — como talvez se poderia supor —, e inclusive tem vários silêncios e vazios, o que é quase uma marca registrada do diretor Karim Aïnouz. Quem conhece o cinema feito pelo realizador cearense (Madame Satã, O Céu de Suely) sabe que suas histórias estão sustentadas na empatia e força dos seus protagonistas. São os seus personagens/atores que apaixonam, nem tanto assim o que é contado. Se na telona foram Lázaro Ramos e Hermila Guedes os que sustentaram seus filmes, aqui é Andréia Horta que, com uma atuação magnética e irrepreensível, faz dar vontade de continuar acompanhando sua aventura na cidade grande.

A atriz, que na vida real também é escritora e viveu uma história parecida à do seu personagem (nasceu na tranquila Juiz de Fora para tentar a sorte em São Paulo há sete anos), tinha ainda poucos trabalhos audiovisuais anotados no seu currículo — apenas duas novelas e outra minissérie. Mas depois desta, era óbvio que sua carreira deslancharia, como de fato ocorreu. Aqui, ela se apodera de Alice com tanta força que seria injusto dizer que interpreta bem seu papel: de forma alguma, porque nos 13 episódios Andréia Horta é Alice. E é no seu carisma que talvez se encontre o maior trunfo da série.

Andréia Horta

Se Horta foi uma verdadeira descoberta, o resto do elenco também foi escolhido de forma muito acertada. Como é bom sempre ver em cena a ótima Sílvia Lourenço/Monique (Contra Todos, O Cheiro do Ralo) ou a encantadora Daniela Piepszyk/Regina Célia (O ano em que meus pais saíram de férias). A parte mais experiente do elenco é de primeira e dispensa maiores comentários; inclusive há agradáveis surpresas, como as participações mais do que especiais de Antônio Petrin/Kid Montana e Antônio Abujamra/Elder, ou as breves mas boas intervenções de Paula Pretta e José Trassi, como a prostituta Marília e a travesti Luana Baygton, respectivamente.

Em resumo, “Alice” foi uma ótima série que confirmou a inegável qualidade das produções da HBO e o excelente nível dos realizadores e atores brasileiros. Resultado técnico impecável, elenco afiado, situações reconhecíveis e uma apaixonante São Paulo compõem um mosaico que provoca muita vontade de ver mais.

PS. Vi os episódios gravados e assisti todos de uma só vez. Um depois do outro, no Natal de 2008. Este foi um dos maiores méritos da série: é apaixonante e completamente viciante.

Luka Omoto, Juliano Cazarré e Gabrielle Lopez

Luka Omoto, Juliano Cazarré e Gabrielle Lopez

Ficha Técnica

Série: Alice
Produção: Gullane Films, para a HBO
País: Brasil
Datas de exibição: de 21 de setembro a 14 de dezembro de 2008
Direção geral: Karim Aïnouz e Sérgio Machado
Elenco: Andréia Horta, Carla Ribas, Daniela Piepszyk, Daneri Gudiel, Denise Weinberg, Eduardo Moscovis, Felipe Massuia, Gabrielle Lopez, Guta Ruiz, Juliano Cazarré, Luka Omoto, Marat Descartes, Olga Machado, Regina Braga, Renata Laurentino, Sílvia Lourenço, Vinícius Zinn, Walderez de Barros.

Entrevistas

Andréia HortaAndréia Horta:
“Estou experimentando todos os lugares, cada um a seu tempo”

ALDEIA CULTURAL. “Alice” teve grande repercussão em 2008 e consequentemente colocou você e seu trabalho em evidência. O que mudou na sua vida depois de fazer o seriado (positiva e negativamente)?

ANDRÉIA HORTA. Positivamente meu trabalho foi muito bem recebido e pessoas que nem assistiram a série se tornaram simpáticas a meu trabalho só de ter ouvido falar (risos). Ter trabalhado com todas as pessoas com quem trabalhei lá deu uma certa credibilidade. Negativamente… talvez a expectativa dos próximos trabalhos por parte das pessoas, sei lá… talvez seja só uma sensação minha.

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Gabrielle LopezGabrielle Lopez:
“Alice foi uma experiência transformadora”

ALDEIA CULTURAL. No ano passado, a HBO exibiu a série Alice, na qual você interpretou um dos papéis principais. Como você recorda a experiência de ter participado dela?

GABRIELLE LOPEZ. Foi uma experiência transformadora. Primeiro porque dei vida à personagem Marcela, que tem uma energia diferente da minha. Vivê-la foi passear em universos diferentes da minha realidade e poder enxergar outras possibilidades. Também tive o privilégio de ser dirigida por quatro diretores talentosíssimos. Participei de uma experiência intensa, o que me instigou a trabalhar com a minha verdade e o meu material humano.

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Luka OmotoLuka Omoto:
“Por mim daqui pra frente eu só faria Alice”

ALDEIA CULTURAL. Qual era a sua expectativa para o processo de seleção, como foram os testes e como você ficou sabendo que teria um dos papéis mais importantes da série?

LUKA OMOTO. Depois de mais de 10 anos morando na Alemanha e sem ter nunca rodado no Brasil, resolvi procurar uma agente em São Paulo. No dia em que fui levar meu material lá estava rolando o teste. Cinco meses depois, à meia-noite de um sábado, eles queriam que eu estivesse segunda-feira em São Paulo para começar a ensaiar. Li o roteiro no avião. Aliás naquela época eu ainda iria fazer a Marcela e a Silvinha (Lourenço) é que era a Dani!

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Dez atores que são a cara do cinema brasileiro atual

Matheus Nachtergaele é um ator talentoso e versátil l Foto: História do Cinema Brasileiro

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O século XXI começou com uma enxurrada de produções brasileiras nas telas de cinema e grandes sucessos de bilheteria, embora a grande maioria dos filmes ainda encontre muitos problemas na hora da distribuição e exibição. Mesmo assim, o bom número de longas-metragens nos permite admirar o talento de grandes atores.

Nesta lista eu falo de 10 atores que são a cara do período pós-Retomada no cinema brasileiro. Não se trata de uma relação dos 10 melhores nem dos que fizeram mais filmes. E é claro que, como toda lista, ela certamente omite alguns nomes que poderiam fazer parte, mas acredito que ela é bastante representativa do que vemos atualmente nas nossas telas.

Babu Santana (Rio de Janeiro-RJ, 10/12/1978). Uma pequena participação em Cidade de Deus marcou a estreia de Alexandre da Silva Santana em longas-metragens. Sua cara de ‘mau’ e ‘durão’ o fez alternar entre papéis de agentes policiais ou militares e marginais ou presidiários. Exemplos do primeiro caso foram Batismo de Sangue e Meu Nome Não É Johnny, enquanto no segundo grupo estão longas como Quase Dois Irmãos e Estômago. Mais recentemente, Babu fez o papel que lhe deu mais projeção até agora, ao protagonizar o filme Tim Maia, na pele do talentoso e polêmico cantor.

Flávio Bauraqui (Santa Maria-RS, 23/03/1966). Criava personagens desde que era criança e fez teatro tanto em Santa Maria como em Porto Alegre. Aos 27 anos, partiu para o Rio de Janeiro e iniciou uma interessantíssima carreira no teatro carioca, sob direção de André Paes Leme e Jorge Fernando, entre outros. Também atuou em vários musicais, aproveitando sua formação em oficinas de canto e dança, além de interpretação. Sua estreia no cinema ocorreu em Madame Satã, e posteriormente apareceu em filmes como Quase Dois Irmãos, Noel – O Poeta da Vila e 5x Favela, Agora Por Nós Mesmos.

Irandhir Santos (Barreiros-PE, 22/08/1978). Um dos mais desconhecidos da lista para o público da TV —justamente por ter feito poucos trabalhos para a telinha—, é também um dos mais premiados atores do cinema brasileiro atual. Só por Tatuagem, de Hilton Lacerda, foram prêmios de melhor ator nos festivais de Gramado, Cuiabá, Anápolis e Punta del Este (Uruguai), entre outros, além de melhor contribuição artística em Havana (Cuba). Febre do Rato, de Cláudio Assis —para quem já havia trabalhado em Baixio das Bestas—, e Olhos Azuis, de José Joffily, foram outros marcantes trabalhos.

João Miguel (Salvador-BA, 01/01/1970). Aos 9 anos, já atuava na televisão baiana e antes dos 15 estreava no palco. Mudou-se para o Rio com apenas 17 anos, disposto a seguir a carreira, mas passaram-se quase duas décadas para que o seu talento fosse descoberto pelo cinema brasileiro. O elogiado Cinema, Aspirinas e Urubus, de Marcelo Gomes, o projetou como uma grande revelação e, a partir daí, não parou mais. Seguiram-se O Céu de Suely, de Karim Aïnouz, e Estômago, de Marcos Jorge, que foi a sua consagração definitiva e com o qual ganhou grande status no cinema nacional.

Juliano Cazarré (Pelotas-RS, 24/09/1980). Embora seja gaúcho, Cazarré foi criado em Brasília, para onde sua família se mudou pouco depois do seu nascimento. Foi na capital brasileira que o ator participou do seu primeiro longa, A Concepção, do então estreante José Eduardo Belmonte. Já em São Paulo, fez um dos seus trabalhos de maior destaque, a série “Alice” da HBO, e depois foi contratado pela Globo, ganhando projeção nacional com o personagem Adauto de “Avenida Brasil”. No cinema, esteve em filmes de diversos diretores, como Nome Próprio  e Serra Pelada.

Júlio Andrade (Porto Alegre-RS, 08/10/1976). Iniciou a carreira cinematográfica no Rio Grande do Sul, atuando em Tolerância, de Carlos Gerbase. Depois teve pequenas participações em filmes importantes do início do século, mas ganhou projeção mesmo com Cão Sem Dono, de Beto Brant, filme que protagonizou e no qual contracenou com a também gaúcha Taina Müller. Depois disso, passou a ser rosto conhecido nas telas, com filmes tão diversos como Hotel Atlântico e Serra Pelada, assim como biopics como Gonzaga: De Pai Pra Filho e Não Pare Na Pista: A Melhor História de Paulo Coelho.

Lázaro Ramos (Salvador-BA, 01/11/1978). Um dos mais premiados e célebres atores da sua geração é também um dos mais talentosos. Madame Satã não foi a sua estreia no cinema, mas foi seu primeiro grande papel e a partir dali o ator baiano se projetou rapidamente tanto na grande tela como na pequena, passando a atuar regularmente em novelas da Globo. No cinema, destacou-se ainda nos filmes O Homem Que Copiava, Meu Tio Matou Um Cara e Cidade Baixa, entre outros. Além de excelente ator, Ramos é um ator carismático e provavelmente um dos mais queridos pelo público.

Matheus Nachtergaele (São Paulo-SP, 03/01/1969). Seu sucesso como ator do Teatro da Vertigem o levou em pouco tempo para as telas de TV e do cinema, no fim dos anos 90. Um de seus primeiros papéis de grande notoriedade foi o desempenhado em Central do Brasil, premiado filme de Walter Salles, que já o havia dirigido em O Primeiro Dia. Consagrou-se com o João Grilo de O Auto da Compadecida e com o Cenoura de Cidade de Deus, mas também é conhecido por sua presença em filmes de menor orçamento e com uma pegada mais autoral, como Amarelo Manga e A Concepção.

Milhem Cortaz (São Paulo-SP, 06/12/1972). Foram os famosos produtores Caio e Fabiano Gullane que levaram Milhem ao cinema, para um pequeno papel em Através da Janela, de Tata Amaral. Desempenhou seu primeiro papel de destaque em Carandiru, de Hector Babenco, e se tornou conhecido tanto por seu trabalho em filmes de autor (A Concepção), como em sucessos de bilheteria como Tropa de Elite. É frequentemente escalado para interpretar personagens estranhos ou atormentados, sendo inclusive escolhido para apresentar o programa “Mistérios”, da Discovery.

Wagner Moura (Salvador-BA, 27/06/1976). O rosto do cinema brasileiro nas décadas iniciais deste século. Desde que interpretou o Capitão Nascimento em Tropa de Elite, Wagner Moura passou a ser um atores mais reconhecidos pelo público; já o capitão do Bope se tornou um dos maiores ícones populares que o cinema brasileiro já produziu em toda a sua história. Mas o caminho do ator vinha sendo trilhado há vários anos, com participações importantes em filmes como Abril Despedaçado, além de papéis protagônicos como no caso de Cidade Baixa, no qual dividiu créditos com Lázaro Ramos e Alice Braga.

Luiza Maranhão: a musa negra do cinema brasileiro faz 75 anos

Luiza Maranhão

Luiza em cena de A Grande Feira, ao lado de Antonio Pitanga l Foto: Arquivo

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Acredito que não poderia haver uma ocasião melhor para retomar este site do que celebrando o 75° aniversário de uma das grandes atrizes da história do cinema brasileiro. Afinal, além de bonita e muito talentosa, Luiza Maranhão esteve presente em alguns dos maiores clássicos das nossas telas.

Porto-alegrense, mas intimamente ligada ao cinema baiano, Luiza nasceu em 20 de setembro de 1940, e começou no rádio, ainda na adolescência, na capital gaúcha. Dali pulou para a TV e o teatro, antes de ser convidada a co-protagonizar os filmes Barravento e A Grande Feira, ambos rodados na Bahia.

Barravento marcou a estreia de Glauber Rocha (1939-1981), considerado um dos maiores cineastas brasileiros de todos os tempos. Porém, inseguro na montagem, o diretor baiano estreou o filme apenas em maio de 1962 (as filmagens ocorreram em 1959). Essa demora evitou que Luiza passasse para a história como protagonista da primeira cena de nu frontal do cinema nacional, honra que coube a Norma Bengell, já que Os Cafajestes, de Ruy Guerra, foi lançado dois meses antes, em março daquele ano.

Porém a beleza e talento de Luiza não passariam desapercebidos nesse grande clássico, muito menos em A Grande Feira (1961), um filme um tanto desconhecido, mas absolutamente imprescindível, do genial Roberto Pires (1934-2001). Nele, Luiza interpreta uma das personagens femininas mais fortes e interessantes do cinema brasileiro. Sob direção de Roberto Farias, rodou ainda O Assalto ao Trem Pagador, uma joia cinematográfica em que teve participação mais discreta, ainda que valiosa.

Em seguida, Luiza atuou em dois longas de Cacá Diegues, Ganga Zumba (1964) e A Grande Cidade (1966), nos quais contracenou com Antonio Pitanga, a exemplo do que já havia ocorrido em A Grande Feira e Barravento. A parceria dos dois em cena foi com certeza uma das mais deliciosas do cinema brasileiro, tamanho o talento e a afinidade entre ambos.

Outros longas daquela que chegou a ser conhecida como a “Sophia Loren afro-brasileira” (um curioso detalhe é que a italiana nasceu exatamente um ano antes, também num 20 de setembro) foram Garota de Ipanema (1967), Boi de Prata (1973) e Chico Rei (1985). Sua trajetória cinematográfica com certeza poderia ter sido maior, mas a ditadura que se instalou no Brasil nos anos 60 a afastou do país e de uma carreira que, embora relativamente breve, foi brilhante.

No site Caderno de Cinema, é possível ler uma maravilhosa matéria da jornalista Maria do Rosário Caetano sobre esta fascinante atriz, incluindo declarações de Luiza — que mora há muitos anos em Roma — e de gente que conviveu com ela. Cartazes e fotos como a histórica capa da revista O Cruzeiro ao lado de Helena Ignez também estão lá. Imperdível.