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As 10 atrizes do momento no cinema brasileiro

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10 atrizes do cinema brasileiro atual: Rosanne Mulholland

Rosanne Mulholland teve um grande desempenho em Falsa Loura l Foto: Arquivo

De Dira Paes a Hermila Guedes, de Leandra Leal a Simone Spoladore: uma lista com 10 talentosas atrizes brasileiras, que representam muito bem o que está rolando no cinema nacional feito no período da pós-Retomada.

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Há 7 anos, a série Alice encantou o público da HBO

Andréia Horta em Alice

A série foi uma das primeiras produzidas no Brasil pela HBO l Foto: Divulgação

No segundo semestre de 2008, a HBO exibiu a série “Alice”. Com uma trilha sonora envolvente, estética caprichada e elenco afiado, a série encantou o público e ganhou inclusive um especial em duas partes dois anos depois. Um dos grandes méritos de “Alice” foi ter projetado atrizes talentosas como Andréia Horta, Luka Omoto e Gabrielle Lopez. O ALDEIA CULTURAL, ainda na sua primeira época, conversou com as três, nas entrevistas que você pode relembrar a seguir.

Um olhar sobre Alice (HBO, Brasil, 2008)

“Alice” foi a terceira produção da HBO realizada no Brasil, após as bem sucedidas temporadas de “Mandrake” (2005 e 2007) e “Filhos do Carnaval” (2006). Em 13 capítulos, a série narrou a história de uma jovem nascida e criada na pequena Palmas, capital do Tocantins, de ruas retas e sem muito movimento. A ponto de se casar, o personagem-título leva também uma vida tão planejada como o lugar onde mora. Entretanto, o suicídio do seu pai (que ela pouco pode conhecer) em São Paulo a leva até a metrópole de quase 20 milhões de habitantes.

Em São Paulo, Alice faz o tour de force obrigado à idade adulta, de maneira dura e às vezes cruel. Ali ela encontra os mais diversos personagens, que em alguns casos a salvarão e em outros a deixarão à beira do abismo. A protagonista passa então a viver a 1.000 km por hora, disposta a se apropriar da cidade, torná-la sua e aproveitar tudo o que esta tem para lhe oferecer. Sua passagem pela vertiginosa capital termina sendo uma experiência transformadora, dessas que marcam a gente pela vida toda.

Andréia Horta em uma cena de Alice

De um virtuosismo estético singular e uma fotografia que sabe aproveitar as inúmeras possibilidades brindadas por uma cidade tão fascinante como a capital paulista, a série cativa por sua excelente trilha sonora, composta principalmente pelos músicos Tejo Damasceno e Rica Amabis, com nota alta também para as canções “Sem Mentira”, de Fábio Góes, e “Al”, de Estela Cassilatti. Todos estes elementos são combinados de maneira brilhante por Karim Aïnouz e Sérgio Machado, que compartilham a direção, conseguindo no entanto manter uma unidade dramática e visual entre os episódios.

É fácil perceber o enorme cuidado com que foi realizada a série, uma característica mais própria dos filmes que do que se faz normalmente na televisão. Este não é um detalhe menor, porque esse esmero deriva não só em um produto melhor acabado tecnicamente, mas também em interpretações muito mais sólidas, assim como ocorre no cinema.

Vinícius Zinn e Andréia Horta

Quanto ao roteiro, talvez o elemento mais criticado da série, é preciso dizer que, embora não seja excelente, está longe de decepcionar. Muito pelo contrário, já que o interesse na trama não cai em nenhum momento e isto em uma série não é nada fácil de conseguir. Mas é verdade que algumas situações se resolvem quase por inércia (ou algumas vezes de forma bastante discutível, como no caso da gravidez de Alice) e que não se aprofunda tanto no seu desenvolvimento, especialmente nas histórias paralelas.

Há algumas passagens com as quais nos identificamos imediatamente, mas outras são um pouco forçadas, como o momento em que DJ, o norte-americano que viaja no dia seguinte a Buenos Aires, seduz Alice no táxi, depois de escolher uma música no seu iPod. Esse primeiro ‘deslize’ da jovem é perfeitamente verossímil, nem tanto assim o jeito em que ela ‘cai’, que parece mais uma solução de efeito idealizada pelos roteiristas do que uma situação tirada da realidade. Mas é talvez esse uso excessivo e ao mesmo tempo acertado dos recursos que aporta fluidez a uma história que — sendo bastante rigoroso — não proporciona grandes emoções (mas sim muitas sensações), para além da empatia quase automática com os personagens.

Andréia Horta e Luka Omoto

Voltando à narrativa, esta não é vertiginosa — como talvez se poderia supor —, e inclusive tem vários silêncios e vazios, o que é quase uma marca registrada do diretor Karim Aïnouz. Quem conhece o cinema feito pelo realizador cearense (Madame Satã, O Céu de Suely) sabe que suas histórias estão sustentadas na empatia e força dos seus protagonistas. São os seus personagens/atores que apaixonam, nem tanto assim o que é contado. Se na telona foram Lázaro Ramos e Hermila Guedes os que sustentaram seus filmes, aqui é Andréia Horta que, com uma atuação magnética e irrepreensível, faz dar vontade de continuar acompanhando sua aventura na cidade grande.

A atriz, que na vida real também é escritora e viveu uma história parecida à do seu personagem (nasceu na tranquila Juiz de Fora para tentar a sorte em São Paulo há sete anos), tinha ainda poucos trabalhos audiovisuais anotados no seu currículo — apenas duas novelas e outra minissérie. Mas depois desta, era óbvio que sua carreira deslancharia, como de fato ocorreu. Aqui, ela se apodera de Alice com tanta força que seria injusto dizer que interpreta bem seu papel: de forma alguma, porque nos 13 episódios Andréia Horta é Alice. E é no seu carisma que talvez se encontre o maior trunfo da série.

Andréia Horta

Se Horta foi uma verdadeira descoberta, o resto do elenco também foi escolhido de forma muito acertada. Como é bom sempre ver em cena a ótima Sílvia Lourenço/Monique (Contra Todos, O Cheiro do Ralo) ou a encantadora Daniela Piepszyk/Regina Célia (O ano em que meus pais saíram de férias). A parte mais experiente do elenco é de primeira e dispensa maiores comentários; inclusive há agradáveis surpresas, como as participações mais do que especiais de Antônio Petrin/Kid Montana e Antônio Abujamra/Elder, ou as breves mas boas intervenções de Paula Pretta e José Trassi, como a prostituta Marília e a travesti Luana Baygton, respectivamente.

Em resumo, “Alice” foi uma ótima série que confirmou a inegável qualidade das produções da HBO e o excelente nível dos realizadores e atores brasileiros. Resultado técnico impecável, elenco afiado, situações reconhecíveis e uma apaixonante São Paulo compõem um mosaico que provoca muita vontade de ver mais.

PS. Vi os episódios gravados e assisti todos de uma só vez. Um depois do outro, no Natal de 2008. Este foi um dos maiores méritos da série: é apaixonante e completamente viciante.

Luka Omoto, Juliano Cazarré e Gabrielle Lopez

Luka Omoto, Juliano Cazarré e Gabrielle Lopez

Ficha Técnica

Série: Alice
Produção: Gullane Films, para a HBO
País: Brasil
Datas de exibição: de 21 de setembro a 14 de dezembro de 2008
Direção geral: Karim Aïnouz e Sérgio Machado
Elenco: Andréia Horta, Carla Ribas, Daniela Piepszyk, Daneri Gudiel, Denise Weinberg, Eduardo Moscovis, Felipe Massuia, Gabrielle Lopez, Guta Ruiz, Juliano Cazarré, Luka Omoto, Marat Descartes, Olga Machado, Regina Braga, Renata Laurentino, Sílvia Lourenço, Vinícius Zinn, Walderez de Barros.

Entrevistas

Andréia HortaAndréia Horta:
“Estou experimentando todos os lugares, cada um a seu tempo”

ALDEIA CULTURAL. “Alice” teve grande repercussão em 2008 e consequentemente colocou você e seu trabalho em evidência. O que mudou na sua vida depois de fazer o seriado (positiva e negativamente)?

ANDRÉIA HORTA. Positivamente meu trabalho foi muito bem recebido e pessoas que nem assistiram a série se tornaram simpáticas a meu trabalho só de ter ouvido falar (risos). Ter trabalhado com todas as pessoas com quem trabalhei lá deu uma certa credibilidade. Negativamente… talvez a expectativa dos próximos trabalhos por parte das pessoas, sei lá… talvez seja só uma sensação minha.

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Gabrielle LopezGabrielle Lopez:
“Alice foi uma experiência transformadora”

ALDEIA CULTURAL. No ano passado, a HBO exibiu a série Alice, na qual você interpretou um dos papéis principais. Como você recorda a experiência de ter participado dela?

GABRIELLE LOPEZ. Foi uma experiência transformadora. Primeiro porque dei vida à personagem Marcela, que tem uma energia diferente da minha. Vivê-la foi passear em universos diferentes da minha realidade e poder enxergar outras possibilidades. Também tive o privilégio de ser dirigida por quatro diretores talentosíssimos. Participei de uma experiência intensa, o que me instigou a trabalhar com a minha verdade e o meu material humano.

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Luka OmotoLuka Omoto:
“Por mim daqui pra frente eu só faria Alice”

ALDEIA CULTURAL. Qual era a sua expectativa para o processo de seleção, como foram os testes e como você ficou sabendo que teria um dos papéis mais importantes da série?

LUKA OMOTO. Depois de mais de 10 anos morando na Alemanha e sem ter nunca rodado no Brasil, resolvi procurar uma agente em São Paulo. No dia em que fui levar meu material lá estava rolando o teste. Cinco meses depois, à meia-noite de um sábado, eles queriam que eu estivesse segunda-feira em São Paulo para começar a ensaiar. Li o roteiro no avião. Aliás naquela época eu ainda iria fazer a Marcela e a Silvinha (Lourenço) é que era a Dani!

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